Pais Emocionalmente Inteligentes

Devotional

Dia 5 - Sendo paciente com o processo de aprendizagem de seu filho


Quanto tempo você leva para aprender um novo comportamento? Imagine que você não pratique exercícios físicos regulares, e entenda que seja bom pra você e, por isso, comece a fazer alguma atividade periodicamente. Como é esse processo? No segundo dia você já está habituado a se exercitar? Já tira de letra? Ou ainda sente preguiça ou fica dolorido? E se você entende que precisa parar de comer doces, mas isso é algo muito difícil para você e, por isso, você se esforça para conseguir, dia após dia, até que este hábito de sempre comer um doce vá diminuindo e não seja mais uma tentação... é fácil esse processo? Acontece de um dia para o outro? Há recaídas?


Geralmente a aprendizagem leva algum tempo. Precisamos de repetição, de esforço, de maturidade e de recompensas para que um novo hábito ou comportamento se instale em nós e em nosso dia-a-dia. Com crianças não é diferente. Elas estão em desenvolvimento, aprendendo não somente a coordenar seus passos e seus movimentos, a falar, a sorrir, como também a lidar com seus desejos, impulsos, sentimentos. Estão aprendendo o controle inibitório, que é a habilidade de gerenciar pensamentos e impulsos, pensar antes de agir, resistir a tentações e controlar comportamentos. Precisamos pensar que até mesmo alguns adultos ainda estão em defasagem no que diz respeito a estas habilidades. Por isso, será natural que você tenha que repetir por muito ou pouco tempo algo que você deseja que seu filho aprenda, sejam orientações, regras ou informações. 


Lembro-me de quando meu filho mais velho tinha aproximadamente 1 ano e meio, e descobriu como abrir a porta do armário da cozinha onde eu guardava o óleo. Ele queria pegar a garrafa cheia e levar para as suas brincadeiras, para o meu desespero. Tive, então, que começar a ensiná-lo que ele não podia brincar com o óleo e que tinha que deixá-lo no armário em vez de sair carregando. No segundo dia, lá foi ele pegar o óleo. No terceiro, também. No quarto, igualmente. No quinto, a mesma coisa. Até que no vigésimo dia, ele colocou a mãozinha na porta do armário e olhou para mim antes de abri-la. Eu repeti: "Não pode!". E, pela primeira vez, ele tirou a mãozinha, não abriu o armário e deixou o pobre do óleo quieto lá. Já ouvi de algumas pessoas que eu deveria ter tirado o óleo de lá e o problema teria se resolvido no segundo dia! Realmente teria me poupado muita energia e paciência. Mas, ele não teria tido a oportunidade de desenvolver a capacidade de controlar seus impulsos e de obedecer. 


É comum perdermos a paciência em processos de aprendizado de nossos filhos. Ter que repetir a mesma coisa por um tempo indeterminado é algo que suga nossas energias. Acabamos, em muitos momentos, agindo com impaciência ("Faça isso AGORA, porque não aguento mais ficar repetindo isso todos os dias!"), com desvalor ("Você nunca aprende mesmo! Já te falei quinhentas vezes que não é para fazer isso!"), com negligência e permissividade (desistindo de ensinar e deixando a criança fazer o que quiser) ou com agressividade (batendo, agredindo verbalmente, jogando objetos no chão, empurrando a criança ou machucando-a de outras maneiras). Agir destas maneiras muito provavelmente fará com que seu filho ou desenvolva comportamentos rebeldes ou comportamentos autodepreciativos, dependendo do temperamento que ele já tenha.


A solução para que você pare de agir de uma destas formas não é seu filho aprender mais rápido aquilo que você deseja que ele aprenda, mas você aprender a se controlar e a ter paciência para um processo que é o natural de acontecer com esta criança. Algumas aprenderão mais rapidamente. Outras poderão levar mais tempo para assimilar e conseguir reproduzir a atitude esperada, e é preciso paciência, perseverança e confiança na capacidade da criança em aprender.


Além disso, é muito importante que você avalie quais são as SUAS expectativas com relação a esta criança. Parte das nossas expectativas podem ser naturais e necessárias (ser educado, um bom aluno, um bom amigo, obediente, respeitoso, amigo de Jesus), mas alguns pais podem depositar em seus filhos uma expectativa muito alta e muito mais para que os próprios pais se sintam bem consigo mesmos ou com a sociedade do que para o benefício dos próprios filhos ("meu filho tem que amar tocar piano", "meu filho tem que ser médico", "meu filho tem que cantar na igreja", "meu filho tem que ser excessivamente educado e simpático"), o que faz com que se sintam impacientes, frustrados, e irritadiços quando seus filhos não alcançam isso tudo que inapropriadamente desejam. 


Desenvolver paciência é um processo tão necessário, quanto o processo do seu filho de aprender certas habilidades e comportamentos. Da próxima vez em que se sentir impaciente com seu filho, se possível, retire-se do ambiente por um momento, respire fundo até que se sinta mais calmo, peça que seu cônjuge, que esteja se sentindo mais controlado, assuma o que precisa ser feito enquanto você se recupera, lembre-se da maturidade que ainda está sendo desenvolvida em seu filho e da necessidade que ele tem de enxergar em você a confiança que tem nele de que ele dará conta de aprender aquilo que, naquele momento, está sendo tão difícil para ele. Você pode ajudá-lo a construir um novo comportamento ou a destruir a confiança dele de que será capaz de crescer como pessoa. 


A Bíblia diz: "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos." Gálatas 6:9 Não desanime de seu filho. No tempo certo, você colherá os bons resultados de sua paciência, perseverança e confiança, se não desanimar.