Pais Emocionalmente Inteligentes

Day 1 of 7 • This day’s reading

Devotional

Dia 1 - Sendo pais em vez de amigos


Como você se avalia como pai/mãe? Como geralmente se sente no fim do dia, após ter passado momentos diversos com seus filhos? Culpado? Frustrado? Satisfeito? Perdido? Descontrolado? 


Após ter escrito o plano Criando filhos emocionalmente inteligentes, fiquei pensando em como é difícil participar adequadamente da educação de um filho quando nós mesmos não sabemos lidar com nossos sentimentos, com situações da vida, quando não temos autocontrole, quando não sabemos ser assertivos, quando não sabemos ser afetuosos e equilibrar isso com a colocação de limites, quando não sabemos perdoar ou quando temos dificuldades em pedir perdão. Não tem como querermos ensinar algo que não sabemos. E, em se tratando de crianças, o que elas mais apreendem não é aquilo que ouvem, mas aquilo que observam. Você pode dizer a ela que ela precisa se controlar, mas se ela não enxerga isso em você, fica difícil aprender. Você pode ensiná-la a amar Jesus e a obedecê-Lo, mas se isso não acontece com você, fica faltando algo, fica desconexo, fica sem sentido.


Por isso, é muito importante que nós, pais, em primeiro lugar, aprendamos a viver. Na verdade, esse processo às vezes vai acontecendo simultaneamente. Ao mesmo tempo em que você amadurece, vai amadurecendo na maneira de conduzir a vida do seu filho. Mas é preciso que esta seja uma decisão intencional: a de se conhecer, a de se ajustar para que seja um facilitador do processo de educação do seu filho, e não um perturbador.


Estamos vivendo em um tempo no qual grande parte dos adultos não querem crescer. Fazem de tudo para permanecerem jovens. Não conseguem enxergar com bons olhos os benefícios do passar dos anos. Assim, vemos adultos com a timeline de suas redes sociais cheias de fotos de si mesmos, outros gastando dinheiro exageradamente com produtos que prometem o rejuvenescimento, outros agindo impulsivamente, tomando decisões como faria um adolescente, e tem aqueles que mantêm uma postura com seus próprios filhos como se fossem colegas, amigos. 


Alguns estudiosos da área da psicologia têm observado como temos uma geração de filhos órfãos de pais vivos, que deixam de disciplinar ou orientar por medo de perderem o amor dos filhos ou por indisposição e imaturidade em manterem um papel que envolva paciência, repetição, firmeza, proximidade e envolvimento. 


São aqueles que evitam dizer "não" porque sabem o trabalho que será lidar com as birras, choros, ou insistências. São aqueles que adaptam princípios para não terem que ensinar. São aqueles que elogiam exageradamente, até mesmo comportamentos que seriam naturais em suas crianças, por medo de elas crescerem tristes. São aqueles que dão tudo para compensar a culpa que sentem por não estarem "ali". Tornam-se companheiros, em vez de pais. Apenas curtem juntos o momento, trocam ideias, fazem planos, concordam, alteram regras para serem "legais". Não que não possamos ser amigos de nossos filhos, mas amigos não disciplinam, não corrigem, não orientam, não são responsáveis por direcionar a vida dos outros. No entanto, nossos filhos têm ou terão amigos, e precisam ter pais também. Precisam ser direcionados no que podem ou não, no que precisam fazer e no que devem evitar. 


O papel dos pais não é sempre confortável. Ensinar, orientar, disciplinar e restringir do mal são tarefas desconfortáveis porque muito provavelmente serão inicialmente recebidas com certa resistência. No entanto, os filhos não amam mais os pais que dão tudo. Deixar que façam ou que tenham aquilo que desejam sempre não é garantia de felicidade, de autoestima, de segurança, nem de amor. Como psicóloga, observo constantemente crianças que muito têm, e que têm permissão para tudo, mas são infelizes, irritadas, ansiosas, insubmissas, inconstantes. Não aprendem a realidade da vida. Não aprendem a dar, não aprendem a esperar, não aprendem a valorizar, não aprendem a agradecer, porque aprenderam – seus pais as ensinaram – que o mundo gira em torno delas. Tiveram pais que foram amigos, mas que não foram pais. 


Se esta tem sido a realidade da sua casa, ainda há tempo. Pegue as rédeas da maior responsabilidade que Deus já deu a alguém: ser pai ou mãe, que ensine seus filhos a serem pessoas úteis para este mundo e o do porvir. Ele abençoará você.