Pais Emocionalmente Inteligentes

Day 3 of 7 • This day’s reading

Devotional

Dia 3 - Colocando limites sem medo de perder o amor


Não tem sido pequeno o número de pais com os quais tenho tido contato e que se sentem esgotados, irritados ou frustrados. Na verdade, estes sentimentos acontecem em nossa vida parental, familiar, profissional e também na vida pessoal. Sentimos cansaço pelas demandas que se somam - trabalho externo, cuidado com a casa, educação das crianças, questões pessoais, conjugais, financeiras. Dar conta de tudo tranquilamente não é fácil. Sentimos irritação como consequência do cansaço, de problemas frequentes e não resolvidos, de impaciência e impulsividade, assim como de imaturidade em alguns casos, retratando uma dificuldade em experimentar frustrações. E, sentimos frustração por coisas que ainda não conseguimos em nós mesmos ou por expectativas que possamos ter e que não sejam alcançadas. Portanto, o problema não é sentir estes sentimentos. O problema é quando eles se tornam frequentes. E é isso que tenho observado especificamente em grupos de pais.


Curiosamente, também tem sido observado pais tão preocupados em transmitir amor para seus filhos, que passam a mimá-los com medo de não serem igualmente amados. É como se fizessem de tudo para que seus filhos retribuam o mesmo amor, como se sentissem medo de não receberem esse amor caso sejam "pais de verdade", colocando limites, dizendo "nãos" e não dando, em muitos momentos, o que os filhos esperariam que eles dessem, principalmente em termos materiais. 


Agora, imagine um pai ou uma mãe que faz de tudo para que seus filhos fiquem felizes: para de fazer seus afazeres frequentemente porque o filho chamou para brincar, dá o presente que o filho pediu, deixa comer quando quiser e o que quiser, planeja o dia a dia e os finais de semana de acordo com os desejos do filho, a hora de dormir depende se o filho quer ou não continuar brincando, o banho é tomado na hora em que o filho quer, a comida servida é sempre aquela que o filho deseja, porque sabe que dará trabalho ensiná-lo a comer os "verdinhos", deixa ele brincar com coisas que não deve como bibelôs, artigos pessoais dos pais, a televisão é ligada apenas no canal que o filho deseja. Como você imagina que esse pai ou essa mãe se sentirá? Muito provavelmente esgotados porque precisam dar conta de todos os desejos do filho, irritados porque estarão vivendo a vida do filho e deixando a própria vida de lado, e frustrados, porque mesmo fazendo isso tudo, eu duvido que um filho dê a essa mãe ou a esse pai o amor, a compreensão, a gratidão que eles esperariam. Por que são maus? Não. Em parte pela imaturidade natural da idade, que ainda deveria estar aprendendo a trocar o egocentrismo ("tudo eu", "tudo o que eu quero") pela visão de mundo de que ele é parte de um todo que possui também desejos e necessidades, e em parte pelo aprendizado que acaba tendo nesta dinâmica familiar de que ela (a criança) é o centro, é quem manda, é quem dita as regras, é quem decide. E aí, vemos pais esgotados, irritados e frustrados.


Onde está o erro? Em três questões:


1. Na visão de que é preciso obter o amor do filho. É muito gostoso recebermos abraços, beijos, um desenho feito com carinho, ou, uma florzinha como sinal de que lembraram de nós. E é muito gostoso fazer o mesmo por eles. Estar perto, abraçar, dizer que ama, planejar um presente em uma data importante, fazer uma surpresa, conversar, passear. No entanto, o que mais precisamos obter de nossos filhos é o respeito deles, não porque sejamos melhores, mas para que eles sejam melhores pessoas, capazes de considerar o outro, obedecer quando preciso, não ultrapassar limites. Caso contrário, serão infelizes, imaturos e incapazes de desenvolver relacionamentos saudáveis. Se eles tiverem respeito pelo pai e pela mãe, e se esse respeito não for incentivado pelo medo (no caso de pais agressivos, autoritários ou violentos), eles automaticamente o amarão.


2. Em deixar sua vida em segundo plano. Não quero dizer, com isso, que você deva viver como se não tivesse filhos, fazendo o que quiser, na hora que quiser, e custe o que custar para os pequenos. Mas que deve levar em conta as necessidades das crianças dentro de suas prioridades. Precisa trabalhar hoje e não pode brincar? Esta é a realidade hoje. E as crianças também precisam aprender a viver as realidades, por mais que fiquem, no momento, chateadas ou decepcionadas. Não podem comer um pirulito antes do almoço porque vai atrapalhar? Não pode. Você é quem sabe o que é melhor para seus filhos, e não eles mesmos. 


3. Em não colocar limites e clarear as regras. Isso acaba sendo geralmente uma consequência das duas questões anteriores. Não imagine que seu filho terá uma "bola de cristal" para saber o que é preciso fazer na casa e o que você espera dele, o que pode e o que não pode, o que deve e o que não deve, se você não falar e ensiná-lo a obedecer. Crianças que são ensinadas a obedecer as regras da casa crescem adultos mais seguros, mais felizes e mais promissores. Por isso, verbalize o que deseja que elas saibam. E, como crianças são muito visuais, uma sugestão seria fazer um quadro daquilo que pode e quando pode (direitos), daquilo que elas devem fazer (deveres), e do que vai acontecer caso as regras sejam cumpridas ou descumpridas (consequências positivas e negativas). 


Seu filho precisa ser guiado. Precisa perceber que existe alguém que o orienta, que o ajuda a controlar a si mesmo quando ele mesmo não consegue, e que sabe o que é melhor. 


De que forma você tem administrado as regras da sua casa, a sua vida, a educação de seus filhos? De que forma tem se sentido na grande maioria dos dias? Como eles têm sido com você? O que isso diz para você sobre sua forma de educação? 


Deus também nos ensina através da Bíblia a obedecê-Lo. Quando aprendemos a respeitá-Lo por quem Ele é, e pelo que fez e faz por nós, O amamos. Ele diz: "Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama." João 14:21. Respeito, obediência, colocação de limites é, também, demonstração de profundo amor.