Pais Emocionalmente Inteligentes

Day 4 of 7 • This day’s reading

Devotional

Dia 4 - Tendo autoridade sem ser autoritário


Você sabia que crianças têm sentimentos? Parece óbvio, mas não é! Alguns adultos agem com as crianças como se elas fossem blindadas ao sofrimento emocional. Utilizam expressões sarcásticas, tom de voz agressivo, punições físicas inadequadas, e frases que desvalorizam ou minimizam quem a criança é geralmente no intuito de ganhar respeito e exigir obediência. Você já deve ter vivenciado situações parecidas: "Ahhh, coitadinho... está chorando igual um bebezinho! (sarcasmo) Que coisa ridícula! Isso, chora mesmo! Assim nunca vai crescer!"; "Pare de chorar! Não aguento mais isso! (tom de voz agressivo)"; "Se não fizer agora o que estou mandando, você vai ver o que vai acontecer! (levantando a contra a criança ou mostrando o chinelo)"; "Sempre lerdo! Nunca consegue fazer nada certo!" (desvalorização). 


Alguns pais confundem o papel de autoridade com autoritarismo. Uma pessoa autoritária não leva em consideração o respeito pelo outro. O que importa é exclusivamente que sua vontade seja feita, e age como se somente ela tivesse razão e merecesse o respeito. O autoritarismo desconsidera o outro na relação e considera apenas a si mesmo. É perceptível como às vezes queremos que nossos filhos nos obedeçam simplesmente pelo fato de querermos ter o controle, mas não necessariamente que haja um motivo para aquilo que pedimos. Exemplo: vocês estão passeando num parque e seu filho pergunta: "mãe, pai, posso correr até aquela próxima árvore e voltar?", e se você fosse avaliar racionalmente, não teria nenhum problema ele ir e voltar... a árvore está relativamente perto, não há muitas pessoas para que ele se perca, você não está com pressa, ele se divertirá... mas a resposta é: "Não!". E se ele perguntar: "Ah, mas por que não?", a resposta será: "Porque não!" ou "Porque eu que mando." Isso é um exemplo de autoritarismo. Você considera o que você deseja ou a obediência que você quer que ele tenha, mas desconsidera a criança, em uma situação na qual você não seria desrespeitado e nem teria prejuízo algum. 


Alguns chefes ou gerentes são assim. Acreditam que ser líder ou ter uma posição de autoridade significa sempre mandar, sem ouvir seus colaboradores, considerar seus pedidos ou opiniões, sem ter empatia para perceber suas necessidades e atendê-las quando possível. Não permitem que seus colaboradores participem de algumas decisões e fazem com que a equipe sinta que o que realmente está em jogo são duas equipes: eles versus o chefe, que está ali somente para observar o que eles estão fazendo de errado, mandar e punir. Muitos pais são assim com seus filhos, muitas vezes por causa do medo de que se fizerem diferente - ou seja, se considerarem os filhos (seus pedidos, suas opiniões) - perderão o respeito e a posição de autoridade. No entanto, estas atitudes não desqualificam o líder; pelo contrário, muito provavelmente fazem com que a equipe se sinta importante, engajada, parte do todo, e um só time. 


No relacionamento com os filhos, não existe somente você. Existe seus filhos com os sentimentos deles, com as necessidades deles e com a sensibilidade individual de cada filho. Por isso, em vez de somente mandar para obter obediência, oriente com consciência. É para parar de chorar porque está realmente fazendo birra? Ou é para parar de chorar porque está incomodando você apesar de a criança estar realmente sentindo dor ou machucada emocionalmente com algo? É para não correr até a árvore porque há muitas pessoas e ele poderá se perder, ou porque você quer que simplesmente ele te obedeça? É para juntar os brinquedos agora porque é hora de dormir e a sala precisa ficar arrumada, ou é porque você está chateada com o mundo e transmite sua irritação no meio da brincadeira da criança? É para tomar banho agora e não daqui a 5 minutos quando o filme terminar porque realmente vocês têm um compromisso e não podem se atrasar, ou porque quando você pede, tem que obedecer a qualquer custo? 


É muito importante que você tenha a clareza a respeito da sua própria motivação para que quando for necessária a obediência mediante sua autoridade, você se mantenha firme, e quando não for, você saiba exercer a flexibilidade, que não tirará de você a autoridade. 


Dê uma olhada em sua maneira de agir com seus filhos quando eles lhe pedem algo, quando gostariam de participar de uma decisão, ou quando se comportam de uma forma desconfortável para você. Algo precisa de ajuste? Não hesite. Mudanças não precisam acontecer somente em nossos filhos, mas em nós também. Afinal, estamos em constante crescimento. Ou deveríamos estar. O que Deus deseja que você aperfeiçoe, ajuste ou renove? Ele quer participar desse processo, e nos convida: "mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2.