MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS PARA A FAMÍLIA

Devocional
REFLEXÃO 10 "Um paralítico é libertado da doença e do pecado":
Para alguns, tanto no passado como agora, Jesus foi um mestre moral; para outros, foi um profeta, um sacerdote das ruas, um fazedor de milagres (9:18-20). Entretanto, para nós – cristãos –, o cerne da fé em Jesus reside no fato de que ele era inteiramente homem e inteiramente Deus. Algo simples como essa afirmação, que levou anos para ser definida, resume não apenas sua essência, como é também fundamental para entender sua atuação na vida mortal. Jesus se aproximou dos seres humanos em todas as suas dimensões. Curou os doentes e os reconciliou com Deus; trouxe consigo a cura e o perdão. Isso pode ser visto no texto sobre o qual estamos refletindo hoje. Na presença de um grupo que se opunha a ele (ou, mais precisamente, um grupo de inimigos), Jesus realiza uma ação que estilhaça suas convicções internas. “Como ele ousa dizer que os pecados do paralítico foram perdoados? Quem esse pregador blasfemo pensa que é? Deixe que ele faça apenas as coisas ‘fáceis’, milagres e curas astutas”. De fato, essas ações impressionantes poderiam ser compreendidas como um tipo de ilusão. Mas declarar que os pecados de um homem foram perdoados... Isso é algo que apenas Deus pode fazer.
Este texto, porém, tem ainda outra característica: a fé daqueles que vão a Jesus. “A fé salvou vocês”. Essa frase é dita mais de uma vez. Em algumas ocasiões, trata-se da fé da pessoa salva por Jesus; em outras, da fé dos que intercedem pelo próximo – a exemplo dos homens que trouxeram o paralítico à presença de Jesus; podemos pensar também na fé de Jairo (8:41-42); e até na do centurião de Cafarnaum (7:1-10). Temos a tendência de limitar a fé ao fato de crer em “alguma coisa” ou em “alguém”. Entretanto, os Evangelhos mostram que a fé é uma atitude de confiança, um esforço ativo. Neste texto, os homens têm de superar condições difíceis para levar o paralítico a Jesus. A mulher que sofre de hemorragia tem de se espremer em meio à multidão para tocar seu manto (8:43-48). A despeito das notícias fatais sobre a saúde da filha, Jairo supera seu pesar e segue Jesus (8:49-50). Embora as pessoas tentem silenciá-lo, o mendigo cego grita cada vez mais alto para ser ouvido por Jesus e curado de sua cegueira (18:35-43).
Jesus é, a um só tempo, homem e Deus; ele cura nosso corpo e nossa alma. A fé é um conjunto de convicções, mas também uma forma de encarar a vida.