MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS PARA A FAMÍLIA

Devocional
REFLEXÃO 13 "Três pessoas doentes são curadas num sábado":
Os Evangelhos contêm misturas perigosas. Quando, numa mesma história, encontramos Jesus, o sábado e os fariseus (ou os mestres da Lei), sabemos com certeza que haverá um conflito. É evidente que as Boas Novas anunciam e concretizam um novo vinho, que exige um novo odre/recipiente para transportá-lo. A compreensão de Jesus para a Lei vai além das rigorosas rotinas da antiga tradição. É preciso relembrar o longo trecho do Evangelho de Mateus (capítulos 5, 6 e 7), no qual Jesus interpreta os mandamentos básicos da Lei e joga luz sobre seu significado mais profundo – com fidelidade total ao espírito daqueles ensinamentos.
Nas três passagens incluídas na reflexão de hoje, o conflito surge quando Jesus questiona a interpretação legalista dos fariseus para o sábado, “operando” um milagre para libertar três pessoas da escravidão da doença. Nessas três ocasiões, os fariseus têm a mesma reação: ficam “enfurecidos”, “indignados”, acusam Jesus de desrespeitar a Lei do Sábado. É claro que ele poderia ter curado os doentes em outro dia da semana (13:14). Mas essa “indignação” desmascara uma questão fundamental: a hipocrisia oculta dos que criticam as ações salvadoras de Jesus. De acordo com essa interpretação da Lei, Jesus desrespeitou a observância ao sábado quando “desamarrou” da doença e “endireitou” uma mulher aleijada – uma “filha de Abraão” sujeitada ao domínio de Satanás. É curioso que esses críticos não enxerguem desrespeito ao sábado na ação de “desamarrar” seus bois do estábulo, ou de tirar um filho ou um boi de dentro de um poço, se eles ali caíssem. (Vale notar que Lucas usa o mesmo verbo, “desamarrar”, para a libertação da mulher aleijada e do boi). As três curas mostram ainda outra dimensão da discussão com os que supostamente sabem, entendem e interpretam a Lei a ser observada pelos demais. Jesus pergunta: “O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou destruí-la?” (6:0). A resposta traça uma linha clara entre duas concepções da Lei: uma visão negativa, que sublinha tabus e proibições e parece ter como único escopo a criação de barreiras e muros; e um olhar positivo diante da possibilidade de criar um contexto efetivo de justiça e misericórdia. Devemos lembrar da única “lei” que Jesus oferece aos discípulos durante a Última Ceia: “Um novo mandamento lhes dou: amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros” (João 13:34).