MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS PARA A FAMÍLIA

Devocional
REFLEXÃO 14 "Dois filhos, dois homens rezando no Templo":
Antes de refletirmos sobre os textos, seria útil ter em mente as duas parábolas que precedem a do “Filho Perdido”. As imagens dos cordeiros extraviados e da moeda perdida nos dão uma vaga ideia da alegria sentida por um pai ao ter de volta um filho dado como morto. Também não devemos esquecer que Jesus está falando para um grupo específico de pessoas – os fariseus e os mestres da Lei, orgulhosos e autossuficientes, que o criticavam por “receber e comer” com os pecadores e excluídos, e desprezavam aqueles que consideravam não-observantes.
Um homem tinha dois filhos, e ambos haviam se distanciado dele. Um deles ousara romper os laços da vida familiar, partindo para uma “região distante” e desperdiçando a herança que havia pedido ao pai. Quando a penúria chegou, ele decidiu voltar para casa, desesperado (a fome é mais forte que o orgulho), decidido a ser aceito não como filho, e sim como um “empregado”. O outro filho havia ficado em casa, obedecendo às ordens do pai e trabalhando “como um escravo” (essa é a expressão literal usada em grego!). Do ponto de vista físico, ele estava na casa do pai; emocionalmente, estava muito longe. O ápice da história revela a triste realidade da natureza humana, representada pela falta de amor verdadeiro na relação de ambos os irmãos com o pai. O mais moço, recebido como um filho, não diz nem “obrigado”. Já o mais velho sente uma mistura de raiva e ressentimento. Ele vê o irmão como um estrangeiro (“seu filho”, diz, e não “meu irmão”). A parábola não revela se ao final esse filho se reconciliou e juntou-se ao banquete. Bem acima da reação suja dos irmãos, o comportamento magnânimo e misericordioso do pai surge como um farol de esperança em meio à escuridão.
No caso dos dois homens que vão rezar no Templo, temos, em suas orações, exemplos extremos de comportamentos em relação à vida. Não raro interpretamos os fariseus de forma equivocada, ao considerá-los apenas como inimigos de Jesus, hipócritas e intolerantes. Na verdade, eles eram extremamente observantes à Lei. Tampouco entendemos a opinião negativa que as pessoas nutriam pelos cobradores de impostos, considerados pecadores públicos, colaboradores dos ocupantes romanos e “juridicamente impuros”. Is dois homens esperam ter suas atitudes justificadas, e o resultado de suas orações não é o que o leitor espera. O fariseu confia na própria retidão, e gaba-se dela. Ele não reza para pedir algo a Deus, mas despreza o coletor de impostos – que, por sua vez, confia em Deus e pede: “Tem misericórdia de mim, que sou pecador”.
Não há mais nenhum comentário sobre os textos, apenas uma pergunta simples: com qual dos personagens dessas parábolas nos identificamos? A indagação pode ser um ponto de partida para descobrir a qual distância estamos da verdadeira mensagem: o Deus anunciado por Jesus, seu Pai, é um Deus de misericórdia e perdão.