MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS PARA A FAMÍLIA

Devocional
REFLEXÃO 15 "Dois homens ricos à mesa: um cobrador de impostos e um abastado":
Como já fizemos em outras ocasiões, vamos considerar dois homens contrastantes. Um deles é real e tem nome; o outro é apenas o personagem de uma parábola. Não fosse por isso, seria possível achar que estamos comparando duas “vidas paralelas”. Ambos simbolizam um dos temas preferidos do Evangelho de Lucas: a riqueza, nossa relação e o uso que fazemos de nossas posses. Os contrastes e coincidências são notáveis. Vamos vê-los, passo a passo. Na condição de chefe dos cobradores de impostos, Zaqueu pertencia a um dos grupos sociais mais desprezíveis de Israel. Eles eram vistos como colaboradores dos romanos, fáceis de serem subornados, propensos a extorquir e explorar o povo. Seu dinheiro estava maculado de culpa e impureza jurídica. Quanto ao homem rico, a parábola não lhe confere um nome, e tampouco sabemos detalhes sobre a origem de sua riqueza. Podemos partir do pressuposto de que ele herdou ou fez sua fortuna de maneira legítima. A única coisa que sabemos com certeza é que ele vivia no fausto e ignorava a existência do pobre Lázaro. Neste caso, à exceção do nome, sabemos apenas que Lázaro sofria de extrema pobreza e de algum tipo de doença cutânea. Ele não diz uma frase sequer em toda a narrativa.
Num dado momento, tudo muda para os três personagens. Na parábola, a morte é o ponto da virada. Carregado pelos anjos para o seio de Abraão, Lázaro apenas observa o destino do homem rico, cujo castigo não tem qualquer explicação fora o fato de que ele ignorou o sofrimento de Lázaro. No final das contas, a riqueza é incapaz de comprar uma passagem para ser recebido no seio de Abraão.
Para Zaqueu, o único personagem do mundo real, também há um ponto de virada, no qual tudo muda para melhor. Como sempre, a presença e a ação de Jesus rompem todas as barreiras que os fariseus e mestres da Lei gostam de erguer. Até os cobradores de impostos, pecadores por excelência, podem ser transformados por Jesus, que veio conclamar os pecadores ao arrependimento, “buscar e salvar o que estava perdido” (19:10). Há quem torça o nariz para esse sinal incomum de misericórdia, mas Jesus deixa claro que ninguém está excluído do reino de Deus, a não ser que seus desígnios sejam confrontados ou ignorados de maneira muito evidente. Ao contrário do rico da parábola – incapaz de compreender a própria situação, ele implora por uma gota d’água –, Zaqueu consegue mudar sua vida, compartilhar suas posses com os pobres, reparar suas faltas... e receber Jesus. O cordeiro extraviado convida o Bom Pastor a entrar em sua casa.