MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS PARA A FAMÍLIA

Devocional
REFLEXÃO 12 "Duas viúvas":
Duas viúvas. Duas viúvas pobres. Em ambos os casos, Jesus volta sua atenção para mulheres cujos nomes nem mesmo sabemos. Além do estado civil, elas dividem a condição de pobreza. Para a viúva de Naim, a morte do filho representa a perda de recursos para viver uma vida digna. Sabemos que as mulheres ficavam em condições econômicas e sociais difíceis depois da morte do marido. Mesmo quando havia uma herança, ela passava a depender da família do marido – e ainda por cima poderia ser vítima da ganância dos mestres da Lei, que costumavam agir como conselheiros jurídicos e por vezes tiravam vantagem da situação (20:47). Quanto à nossa viúva, trata-se de um caso particular no Evangelho. Em geral, quando Jesus opera um milagre, há um grande destaque para o fator da “fé” por parte dos personagens. Estamos habituados a ver a frase: “sua fé o salvou/o curou... lhe fez bem”. Mas esta viúva não pede um milagre, e tampouco implora ajuda ou consolo. Não é a primeira vez que o evangelista descreve uma reação espontânea de Jesus, “movido pela compaixão” ou “cheio de piedade” – para em seguida mostrá-lo dando o primeiro passo para aliviar o sofrimento, concretizando um sinal da atividade salvadora de Deus. O Reino chegou: os doentes são curados, os mortos retornam à vida, os que choram são consolados (veja a passagem seguinte: 7:18-23).
Já a outra viúva representa a atitude fundamental de confiança dos “pobres de Javé”, aqueles que têm no Senhor sua única esperança, aqueles nos quais são cumpridas as palavras de Jesus nas Bem Aventuranças: “Bem-aventurados vocês, os pobres, pois a vocês pertence o Reino de Deus” (6:20). Ou então, de forma mais precisa – e mesmo que elas não exprimam os próprios sentimentos –, as palavras de Jesus são uma descrição exata de sua atitude: “Não se preocupem com isso... o Pai sabe que vocês precisam delas [dessas coisas]” (Lucas 12:29-30). (Se você ler toda a seção 12:22-34, vai compreender melhor a posição de Jesus em relação à riqueza e ao dinheiro de uma forma mais modesta).
Sendo assim, as duas viúvas podem nos ajudar a refletir e pensar até que ponto confiamos na misericórdia de Jesus; de que maneira enfrentamos momentos e situações de perda; como nos sentimos inseguros ao encarar a morte de um ente querido (ou mesmo nossa própria morte); a tensão causada pelos tempos de turbulência econômica em que vivemos. “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”: talvez esta seja uma boa resposta para esse tipo de situação, e para outras semelhantes.