MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS PARA A FAMÍLIA

Devocional
REFLEXÃO 9 "Somos chamados para ser a família de Jesus":
Até este momento, acompanhamos Jesus desde o anúncio de seu nascimento até o início de seu ministério. Observamos as orientações de sua mensagem espiritual, no Sermão do Monte das Oliveiras – incluindo como devemos orar para o Pai. Conhecemos suas ideias fundamentais sobre o povo, por intermédio de suas palavras na sinagoga de Nazaré. A partir de agora, e até os mistérios de sua paixão, ressurreição e ascensão ao Pai, acompanharemos Jesus e veremos o que ele diz e faz, suas palavras e ações. O objetivo desta reflexão (repleta de citações) é preparar você para ver como Jesus desafia nossos sistemas mentais, nossos preconceitos e os pressupostos que damos como certos e aceitamos como verdades sólidas e inabaláveis. Jesus apresenta a face de um Deus que age como pai, que compreende e aceita nossa condição frágil e pecadora – e que perdoa. Jesus nos convida a segui-lo para aprender a enxergar o mundo com outros olhos.
Todos nós temos a tendência a erguer barreiras e muros para nos defender dos outros. O primeiro muro é o dos laços e limites familiares. Jesus começa dizendo que, ao aceitar a vontade de Deus, tornamo-nos integrantes da família que ele está prestes (8:19-21 e 11:27). Não é preciso um rótulo ou uma carteira de associado para ser um de seus seguidores; basta por em prática o que ele ensina: “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” (6:46). Os primeiros a reconhecer sua presença, no momento de seu nascimento, foram os pastores de Belém, um grupo de excluídos (2:8-20). Mesmo na hora de sua morte, ele mostra misericórdia para com um dos criminosos que foram crucificados com ele (23:39-44). Jesus não veio conclamar os que têm importância na sociedade, mas aceita em seu lar os que não têm reputação: as crianças, pois “aquele que dentre vocês for o menor, este será o maior” (9:46-48). Ele não evita os que são considerados impuros aos olhos da sociedade – os leprosos, que ele toca e cura (5:12-16; 17:11-18). Faz refeições junto aos pecadores, como os publicanos/cobradores de impostos (19:1-10), e permite que uma pecadora lave e unja seus pés (7:36-50). Em uma parábola, um Samaritano – membro de um povo herege – é usado como exemplo de misericórdia (10:29-37). Como sinais da compaixão de Deus, ele cita dois milagres realizados por Eliseu em nome dos pagãos, o da viúva de Sarepta e o de Naamã (4:16-30). Resumindo: é possível sintetizar o ministério de Jesus em duas frases: “O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (19:10) e “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar ao arrependimento os justos, e sim os pecadores” (5:31-32). É isso que encontraremos desta reflexão em diante.