Paralelo
17
1Quase não posso respirar.
A minha vida está se acabando;
o que me espera agora é a sepultura.
2Estou cercado de zombadores
e sou obrigado a aguentar os seus desaforos.
As pessoas vêm cuspir na minha cara
3“Ó Deus, só tu podes garantir o meu livramento;
quem mais tenho eu para ser meu fiador?
4Tu fechaste a mente desses zombadores
para que não entendessem as coisas;
não deixes que eles me derrotem.
5Como diz o ditado: ‘Passarão fome os filhos daqueles
que por dinheiro traem os seus amigos.’
6As pessoas usam esse ditado contra mim
e vêm cuspir na minha cara.
7Estou ficando cego de tanto sofrer,
e o meu corpo é apenas uma sombra.
8Ao verem isso, os homens direitos ficam horrorizados
e me condenam como se eu fosse um ateu.
9E esses homens honestos e respeitáveis ficam firmes na sua opinião,
cada vez mais convencidos de estarem certos.
10Mas, se voltassem aqui,
eu não acharia entre eles nenhum que fosse sábio.
Onde está a minha esperança?
11“A minha vida vai passando;
os meus planos fracassaram,
e as esperanças do meu coração se foram.
12Os meus amigos dizem que a noite é dia;
apesar da escuridão, eles afirmam que a luz está perto.
13A minha casa será no mundo dos mortos,
onde vou me deitar e dormir na escuridão.
14Direi que a sepultura é o meu pai
e que os vermes são a minha mãe e as minhas irmãs.
15Se é assim, onde está a minha esperança?
Há alguém que possa ver esperança para mim?
16Será que ela vai descer aos quartos do mundo dos mortos,
para juntos descansarmos debaixo da terra?”